terça-feira, 29 de setembro de 2009

“Quando Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela.”


Quem me conhece sabe muito bem que essa é uma das frases norteiam a minha vida já faz algum tempo, numa das muitas vezes que eu assisti a Noviça Rebelde na televisão essa frase de repente chegou aos meus ouvidos e fez tanto sentido... Eu simplesmente sabia que ela era verdadeira! O problema é que as vezes a gente esquece das coisas e elas precisam ser lembradas, algumas vezes sutilmente, outras vezes nem tanto...

Bom, o ano de 2008 passou e sempre que eu tinha um dinheiro sobrando e alguém com disposição pra ir ao teatro, lá ia eu rumo ao Oi CasaGrande e já começava a tremer quando chegava perto e via ao grande luminoso do lado de fora com uma Noviça queridíssima em rosa choque de braços abertos; sabia que o sonho estava pra recomeçar. De 10 de julho a 20 de dezembro foram algumas visitas ao teatro (todas maravilhosas): levei pessoas muito queridas pra assistir comigo, conheci Kiara Sasso pessoalmente (e me deu uma tremedeira!!! Tudo culpa daqueles olhos azuis), comecei a cuidar mais de mim mesma e a fazer aula de canto, coisa que eu sempre quis fazer e nunca pude.

Meu mundinho virtual também não ficou parado, entrei para as comunidades da Noviça Rebelde (o musical, que fique bem claro) e de Kiara Sasso no Orkut, lá conheci algumas pessoas maravilhosas que com o tempo teria o orgulho e o prazer de chamar de amigas, entre elas estão duas das pessoas a quem esse texto é dedicado: Annelise e Carla Mariza. Ok, pausa antes de continuar, não consigo mais chamá-las assim tão formal... daqui por diante Annelise é Anne e Carla Mariza é Carlinha!



Levanta a mão quem faz parte de uma das comunidades as quais Anne faz parte e passou impunemente por um de seus textos, alguém conseguiu não notar, não se emocionar e não se impressionar com as palavras fortes, a opinião sincera e a paixão com a qual ela escreve? Pois bem, apesar do aviso intimidante que tinha no perfil dela (e que hoje já não existe) eu resolvi arriscar e começar a conversar, um scrap aqui outro ali, no fim pedi pra ela me adicionar e para minha surpresa ela disse que não haveria problemas. Bom, não sei quando foi isso, fico devendo a data, só sei que de lá pra cá muita coisa já aconteceu, algum tempo já passou e nosso contato só aumentou ao invés de diminuir como acontece muitas vezes por aqui.

E exatamente porque a gente começou a conversar mais é que outra pessoa começou a fazer parte do meu mundo, Carlinha... comecei a prestar atenção também nas coisas que ela escrevia, opiniões igualmente fortes, mais sucintas, opinião de gente que fala pouco, mas que sabe muito bem do que está falando. Imediatamente criei um respeito e uma admiração muito grande por ela; nem sei se ela sabe disso, mas escuto muito o que ela diz, mesmo que as vezes não fale nada, que seja só uma expressão; adoro ouvi-la cantar, seja por vídeo no youtube ou ao vivo no meio da cidade barulhenta!

Oportunidades não se perdem e eu não perderia a minha por nada nesse mundo, então mesmo tendo sido avisada em cima da hora, no dia 20 de dezembro estava eu com meu ingresso na mão e o coração aos pulos pra mais uma sessão da Noviça. Foi muito difícil chegar ao teatro naquele dia, pois haveria uma Parada de Papai Noel (em comemoração ao Natal) em Copacabana e o trânsito na zona sul estava parado! Xinguei tanto Papai Noel nesse dia!!! Cheguei ao teatro correndo, esbaforida, me joguei na poltrona, não tive nem coragem de ir falar com as meninas, esperei elas virem até mim; como é bom conhecer alguém de verdade, sentir a proximidade de um abraço e de um sorriso sincero. A Noviça aquele dia teve um clima todo especial, além da mágica já habitual foi a primeira vez que dividi a platéia com pessoas que tinham tanto em comum comigo!

O primeiro ato foi tranqüilo, meio inacreditável, três pares de olhos brilhavam e três corações pulavam no peito de tanta emoção; o intervalo chegou e só então pudemos de fato conversar, estávamos ainda nos conhecendo quando uma pessoa se aproxima, pede licença e fala nossos nomes... fala nossos nomes? Como assim? Quem é essa doida que sabe o nome da gente? Será que estávamos sendo seguidas? Claro que não, era mais uma fã de carteirinha da Noviça, Márcia!


Furacão que me desculpe, mas naquele dia ela estava em recesso, quem chegou arrasando foi a Márcia mesmo; como eu ia saber naquele dia o quão especial ela viria ser na minha vida?! Como eu ia saber naquele dia que uma nova família estava começando a se formar e que alguns meses depois ela não seria mais nem o contato no Orkut e nem a fã da Noviça, também não seria mais uma amiga, seria minha Mamy?! Que me faria cometer loucuras, tipo ir pra São Paulo duas vezes no mesmo mês; que não acharia meus devaneios bobagens ou impossíveis... vou usar então uma frase beeem conhecida aqui pra te dizer Mamy que “já não há retorno mais”!

Aliás, não há retorno mesmo depois que se entra nesse mundo maravilhoso dos musicais! O segundo ato foi um pouco mais emocionante, talvez por se aproximar do fim, ou pra acompanhar os acontecimentos mais tensos que o compõem, seja como for, saímos as três do teatro elevadas e fomos esperar a saída dos artistas. Kiara Sasso é a primeira que sai; a expressão no rosto e o abraço que ela deu ao ver as meninas que tinham vindo de longe para vê-la é algo que nunca vou esquecer, ficamos um pouco por ali; depois saiu Saulo Vasconcelos e da mesma forma ficou muito feliz de ver Anne e Carlinha ali na porta... estava tudo um sonho, mas eu tinha que me lembrar que já era quase 1hr da manhã e eu ainda precisava cruzar a cidade sozinha num táxi pra voltar pra casa. Me despedi das meninas e lá fui eu pro ponto.




É claro que tive que esperar uns 10 minutos até aparecer um carro pra levar e aí o motorista pergunta pra onde eu estava indo, falei o nome do bairro e a pessoa que estava atrás de mim fala numa voz, macia, mansa que estava indo pro mesmo lugar, sugere que dividamos o taxi; quase entrei em choque quando vi que era ninguém menos que Ester Elias. Claro que eu aceitei! Levou cerca de cinco minutos para que eu ficasse impressionada com a sua simplicidade, com o amor com que falava da história e do carinho com que recordava as sessões que tinha feito. Fiquei tão boba naquele dia, que estava com a câmera na mão e nem lembrei de tirar uma foto! Só depois que cheguei em casa eufórica foi que me dei conta disso; mas sem problemas, duas semanas depois eu voltei ao teatro e resolvi esse probleminha. Naquele dia quando eu cheguei em casa eu soube que tinha Deus tinha colocado mais um Anjo na minha vida, que um seria pouco! De fato, todas as vezes que eu tive oportunidade de encontrá-la e de falar com ela, é sempre tão cheio de verdade e de carinho que me emociona e me conquista sempre um pouco mais.

Alguém aí teve paciência de ler o que escrevi até agora???

Por hoje chega, mas está longe de ser o fim! Essas mesmas pessoas de hoje serão relembradas no final dessa saga e ainda mais uma. Mas para o próximo texto: Nata, Charles Fouquet, Leo Ladeira e Avenida Q (ta achando estranho? Aguarde para ler).

Beijinhos...

domingo, 13 de setembro de 2009

A Noviça Rebelde


Bem verdade que esse texto está atrasado alguns meses, ele era pra ter sido escrito e postado no dia 10 de julho... acreditem 10 de JULHO! Vou até fazer uma pausa pra pedir desculpas pra Nata que de tanto atraso desistiu de me perguntar quando eu ia escrever: Desculpa Priminha, está aí o texto, enjoy! Agora o porque da data tão definida? Simples, porque foi no dia 10 de julho de 2008 que eu assisti ao musical “A Noviça Rebelde” pela primeira vez e posso dizer com segurança que depois disso a minha vida nunca mais foi a mesma.

Muita coisa mudou, algumas visíveis e palpáveis, outras nem tanto, como eu acho que vai ficar muito, mas muito chato mesmo se eu for escrever tudinho tim-tim por tim-tim; vou separar em partes. Vai então aqui apenas a primeira parte, o início de tudo! Obrigada de princípio pra quem tiver paciência pra ler tudo até o final.

Confesso que não me lembro mesmo quando a Noviça Rebelde entrou na minha vida, me lembro que ainda menina aprendi a cantar “Dó-Ré-Mi”; mas até aí vantagem nenhuma, toda criança que realmente teve infância (e não era filho do Cap. Von Trapp) aprendeu a cantá-la. Lembro também que todo ano depois da passagem do Papai Noel eu me sentava (sim, ignorando os presentes) pra assistir a Noviça Rebelde, simplesmente adorava e assistia até o fim, mesmo tendo a metade da casa já nocauteada do meu lado! Não demorou muito pra aprender a cantar tudinho em inglês mesmo. Gostava tanto que certa vez, ganhei de presente de amigo-oculto uma gravação (caseira mesmo, no bom e velho vídeo cassete) do filme e juro que não sei como ele não furou!

Bom, o tempo passou e um belo dia meu pai me trás uma reportagem enorme falando uma superprodução que estava sendo montada aqui no Rio, A Noviça Rebelde, no mesmo instante eu pulei da cadeira e sabia que eu tinha que ir assistir; mas desanimei um pouco quando vi os preços (lembro aos navegantes que eu sou professora, meu salário não é lá essas coisas) e gastar R$150,00 em uma noite era algo que eu tinha uma certa dificuldade em admitir. Houve a estréia e eu deixei passar, era final de maio, depois passou o mês de junho todinho e quando foi no final desse mês uma amiga minha aqui da igreja que freqüento disse que iria assistir à Noviça, que uma amiga estava organizando um passeio; tomei isso como um sinal e reservei um lugar pra mim e outro pra mamãe.

Chegou o dia e lá fomos nós, com o pé meio atrás depois que eu descobri que as musicas tinham sido versionadas e seriam em português, primeiro pensamento que me veio à cabeça “ihhh isso não vai prestar!”; tanto foi que assim que chegamos e passamos na lojinha, mamãe perguntou se eu ia querer o CD e eu torci o nariz e disse que não, não levei fé mesmo. Mas aí o ESPETÁCULO começou, levei um baita susto com as freirinhas (eu estava sentada no corredor láááá nos fundos do teatro, quando dei por mim tinha um vulto preto do meu lado) e aí uma outra abre os portões do convento e começa a cantar, fiquei impressionada com a profundidade daquela voz, mas até então não fazia idéia de quem era, isso eu só descobriria no dia 20 de dezembro. “Começou com o pé direito” – pensei, me ajeitei melhor da cadeira e fiquei mais otimista pro que haveria de vir.

O problema é que ninguém (nem eu mesma) tinha me preparado pra me deparar com um sonho ao vivo, a cores e personificado... mas foi justamente o que aconteceu quando Kiara Sasso, então Maria Rainer, começou a cantar ainda deitadinha em sua montanha, lembro de ter ficado com os olhos cheios d’água e os ouvidos tomados de encantamento ao ouvir sua voz. Eu achei que era perfeito, mas quando ela se levantou e começou a rodopiar pelo palco eu tive certeza, aquilo era perfeito; literalmente entrei em estado de choque, minha mãe teve que me sacudir na hora do intervalo pra me fazer levantar da cadeira e é claro que eu corri na lojinha comprei o CD e a camiseta. Sai daquela sessão com duas certezas: 1ª) eu ia voltar lá novamente (já que dessa primeira vez eu não me lembrava de nada a não ser esse início que acabei de relatar, realmente tinha entrado em choque) e 2ª) alguma coisa há muito adormecida tinha começado a sair de dentro do casulo em que a tinha colocado, eu não seria mais a mesma.

Cheguei em casa ainda atordoada e resolvi procurar a dona da voz e do rosto que tinham feito com que realizasse um sonho de infância, joguei no Orkut (aliás, tenho muito o que agradecer a ele; muito mesmo!): Kiara Sasso, apareceu um perfil, eu não me atrevi a adicioná-la, apenas mandei um scrap parabenizando. Quase enfartei no dia seguinte quando cheguei em casa e ela não só tinha respondido como também pedido para q a adicionasse; e eu o fiz. De lá pra cá foram muitas sessões de Noviça e muitos encontros com Kiara e em todos eles ela consegue fazer com que por 3horas eu me transporte pra um lugar feliz, Meu Lugar feliz; consegue fazer com que a realidade dê lugar ao sonho e não só no palco como também fora dele, pois a atenção e o carinho que recebo dessa pessoa tão especial é ímpar! Hoje me atrevo a chamá-la de Anjo.

Estava feliz e achei que não podia melhorar, mas ficou melhor, muito melhor! Deus não colocou só um Anjo na minha vida por meio desse musical, colocou dois Anjos. Mas isso é matéria pra outro texto... já falei mais do que pretendia.

No próximo texto Annelise, Carla Mariza, Márcia e Ester Elias.

Kisses, see you there!

domingo, 21 de junho de 2009

Antes de mais nada...

É engraçado como muita coisa acontece na nossa vida, nos marca (independente de serem coisas boas ou ruins) e mesmo assim não somos capazes de parar por um momento e deixá-las registradas onde quer que seja. Ergo o braço e reconheço, não sem pesar: Culpada! Sou uma dessas pessoas. Já faz quase um ano que eu abandonei esse espaço aqui que me é tão caro, um lugar onde posso expor meus pensamentos... seria muito repetitivo pedir desculpas mais uma vez, isso virou tema de abertura dos textos; fico com um pensamento, só mais um dentre tantos que exponho aqui, será que havia afinal um objetivo pra nossas avós (ou bisavós, tataravós...) terem tido um diário afinal? Daqueles que estabelecem uma rotina sagrada de não ir pra casa antes de se escrever qualquer coisa que seja antes?

SURPRESAS





Pois bem, eu queria escrever alguma coisa que eu não sabia bem o que era, daí saí a busca de uma imagem que me inspirasse. Eu tinha algumas coisas na cabeça: amigos com quem compartilho idéias e interesses, que nasceram a partir de lugares e situações mais improváveis e inusitadas, que moram pertinho ou longe pacas, mas de quem me sinto próxima mesmo assim. Uma data especial (pra mim) que se aproxima; receber palavras carinhosas de pessoas que eu não esperava e até mesmo, uma rápida retrospectiva (acho q isso ficou meio estranho) desse último ano. Tinha tudo isso na cabeça, um musical rolando na TV (e pra quem apostou, não era a Noviça Rebelde), duas amigas no MSN e um sentimento de impotência enorme no peito. Fui tentando pensar e conciliar tudo isso ao mesmo tempo e cheguei a um ponto de convergência, a vida é feita de pequenos milagres que a fazem valer a pena, e todos eles se apresentam pra nós sob a forma de surpresas.

Sim, eu acredito nisso de verdade, o que faz nossa vida valer a pena são os pequenos milagres que nela ocorrem; milagres que nos deixam com essa carinha assim de criança diante de um presente inesperado no Natal. Vou tentar falar de alguns deles aqui, começando do mais inesperado que eu já tive; não vou citar nomes porque acho que assim o texto fica mais abrangente, mas quem me conhece sabe exatamente do dia, da hora e quem estava comigo, pra quem ainda não ouviu essa história, é só me perguntar que eu conto ela novamente.

Um encontro, isso mesmo, um encontro não-planejado, não-esperado e que me fez ter certeza de que não sofro de nada grave no coração, ou teria tido um ataque com certeza. Foi em dezembro do ano passado, voltando pra casa depois de ter ido assistir uma peça do outro lado da cidade, um transito infernal, poucos (pra não dizer apenas 1) taxi no ponto e duas pessoas indo para o mesmo lugar, eu era uma delas a outra uma que se tornou muito querida a partir dessa data. Coincidência? Para alguns sim, para mim, foi providência Divina. Quantas vezes não cruzamos o olhar com uma pessoa e é pra sempre? Mesmo que ao longo da nossa caminhada, acabemos nos separando ou desencontrando; sempre vai haver a lembrança e aquele sentimento de carinho. Isso pra mim é milagre!

Outro então, amigos, esses são um milagre por si só, mas ainda assim vou falar de duas coisas diferentes a respeito deles. Velhos amigos, normalmente são as pessoas simplesmente passam pela vida da gente e apesar de nos ter marcado de alguma forma, a vida é cruel nesse ponto e nos empurra pra longe; daí um dia, como outro qualquer ou no meu caso, um dia em que eu precisava desesperadamente de colo, você obedece fielmente sua rotina noturna de dar uma passadinha no MSN e aí uma amiga com quem você não conversa há muito tempo vem falar com você como se tivesse sido ontem a última vez e no final, quando você desliga o PC tem certeza de que ela salvou a sua vida. Melhor ainda saber que aquele sentimento ainda está lá firme e forte, só com uma camadinha de poeira em cima.
E os novos amigos, aqueles que são doidinhos o suficiente pra gostar das mesmas coisas que você, e não só isso, são capazes de sair em busca delas estando pertinho ou longe ou muitoo longe mesmo; de assistir quinhentas vezes a mesma coisa e achar a coisa mais normal do mundo; ficar atento a cada detalhe só pra no final poder dizer: “Viu aquilo? Não tinha antes!”. Essas coisas que nem sempre são compreendidas, mas são tãoooo boas! Sair correndo do trabalho, pegar um trânsito infernal, elevar o nível de ansiedade ao ultimo fio de cabelo sem saber se vai chegar a tempo ou não pra no final ver as pessoas sorrindo e te abraçando quando te vêem, se divertir aos montes e já combinar o próximo encontro antes mesmo desse acabar, é ou não é um milagre?

Coisas pequenas como acordar um dia de manhã, abrir o Orkut e encontrar uma mensagem e um depoimento de pessoas que você não esperava e muito mais afetuosos do que poderia imaginar, não é um milagre? Não fazem nosso dia melhor e não nos surpreendem? Sair de casa um dia para assistir um musical (e agora sim estou falando da Noviça Rebelde) uma noite qualquer e sair do teatro de alma lavada e uma revolução na cabeça não é um milagre? Eu sei que me surpreendi com tudo que aconteceu depois desse dia (10 de julho de 2008) e com tudo que fui capaz de realizar depois disso. Pra mim foi o grande milagre do ano passado e a maior de todas as surpresas.

Por hoje chega, não vou ficar falando mais do que deveria (se é que já não o fiz), falar mais do que isso seria muito impessoal e não é essa a proposta aqui, também correria o risco de falar de coisas que quero guardar pra mim, sim, tenho dessas coisas, mas quem não tem? Acho que tive idéias para os próximos textos, quem sabe não funciona? É uma coisa que nunca pensei em escrever aqui antes... Muito obrigada aos meus milagres pessoais, todos aqueles que foram citados anonimamente aqui, mas que tenho certeza, sabem quem são.

E não, eu não esqueci nem fui injusta, o maior de todos os milagres da vida? Simplesmente estar viva e ter a minha família, meu chão, meu RUMO, meu amor!

Obrigadinha pela paciência de ler tudo até aqui!
Mil beijinhos.

domingo, 21 de setembro de 2008

Anjo da Música


Já faz muito tempo que eu não escrevo aqui e embora esse não seja um texto de retratação, acho que cabe uma pequena pausa, uma espécie de pré-introdução para justificar tal ausência. Não é segredo pra ninguém que me conhece que estou dando aulas numa escola municipal e desde fevereiro deste ano, não apenas no período da tarde, mas durante todo o dia, chego em casa cansada demais, sem animo para muita coisa... e assim sendo, este blog acabou caindo no esquecimento. Vamos ver se consigo tirar a poeira e ainda escrever alguma coisa que preste.

Dessa vez não foi a imagem que produziu o texto, foi bem ao contrário, quando eu me sentei para escrever, sabia exatamente do que queria falar e sabia que imagem eu queria achar, só não pensei que fosse encontrar uma imagem tão perfeita! Há relativamente pouco tempo atrás ouvi uma voz que me fez pensar... Não, que me fez sentir que de tempos em tempos, Deus coloca na terra um de seus anjos, disfarçados de pessoas comuns com missões extraordinárias.

Desde criança a música sempre esteve ao meu redor de uma forma ou de outra, ainda que eu não me desse conta disso, sempre procurava estar cercada de música, minha mãe conta que quando eu era um bebê colocava um rádio tocando baixinho perto de onde eu estivesse, pois isso me acalmava e me fazia sentir melhor, não importa o estado de espírito em que me encontrasse. Cresci e sempre procurei fazer atividades que a envolvessem direta ou indiretamente: ballet, violão, o coral da escola, etc e tal. Da mesma forma, os filmes preferidos são os musicais, mesmo quando a maioria das pessoas achava piegas e acabava fazendo piada disso.

Mas com uma coisa quase todo mundo concorda, poucas coisas nos deixam mais leves, alegres, verdadeiramente elevados do que uma bela canção, algumas vezes o som que chega aos nossos ouvidos produzem em nós milagres, revoluções em nossas almas, nos dão coragem de continuar em frente, ainda que isso signifique ter que abrir mão de um tanto de outras coisas. Quem já não pensou que a vida nos leva por caminhos tão inesperados as vezes que parece até que somos meros personagens sob os holofotes de um palco, mas nesse palco da vida nunca estamos só, sempre há algo que nos acompanha, uma trilha sonora.

Talvez falte um tema central (embora eu duvide muito disso), acho que seria mais justo dizer que esse tema central está em constante transformação, nos acompanha durante a nossa caminhada e como somos seres em constante transformação, ele também o é. Há sempre uma música que nos remete a alguma situação ou a alguém especial, há sempre uma canção que toca o coração, que faz a gente chorar baixinho, que faz a gente viajar, que nos faz rir...

Mas o que isso tem a ver com o título do texto então? É que tais melodias não nos tocam tão profundamente se junto a elas não tiver uma voz que nos tocam a alma; algumas delas entram em nosso coração antes mesmo de nos dar conta do que está acontecendo, à essas pessoas Deus deu o dom não só poder cantar belas canções, mas também o de tocar o mais profundo das pessoas, de fazer com que se sintam mais felizes, mais confiantes, mais leves, mais bonitas, mais realizadas, mais humanas. É como se toda maldade e sentimento ruim que um dia habitou a face da terra jamais tivesse existido, não fazem mais o menor sentido. São verdadeiros anjos que desceram à terra com essa missão tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão nobre!

Cada pessoa tem seu próprio Anjo da Música e sua própria trilha sonora, não importa qual seja, tenho certeza que ele deixa a todos mais felizes; espero que cada um reconheça os anjos que cercam suas vidas, que cuidem deles, que os cultive sempre mais e que jamais os deixem sair de suas vidas.

Não sei se foi uma boa reflexão, mas ao menos serve pra tirar a poeira e fazer pensar...

Um beijo carinhoso a todos,
Bia.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Lágrimas



Queria muito ter voltado a este lugar por um motivo alegre e, na verdade, eu nem posso reclamar, desde a última postagem, eu tive vários deles, várias oportunidades de contar coisas boas: meu irmão se casou e foi uma cerimônia verdadeiramente comovente, um clima de felicidade pairava no ar e todos pareciam sorrir involuntariamente; depois tivemos as festas de Natal e de Ano Novo que, se por um lado não trouxeram grandes novidades, por outros tinha um clima de paz que há muito não sentia aqui em casa (não que passamos o ano brigando; mas porque ele foi mesmo muito agitado e cheio de compromissos).

Nesse meio tempo também conquistei algumas coisas que desejava há anos, coisas que podem parecer tolas para muitos, mas que para mim, foram verdadeiras vitórias pessoais, direta ou indiretamente, representaram superação.

Mas não foi nenhuma dessas coisas boas que me levou a procurar a imagem de uma lágrima, até poderia, pois de alegria também se chora. Procurei essa imagem porque acredito que quando um sentimento é forte demais pra ser calado e particular demais pra partilhado, ele necessita de uma maneira de se expressar; as lágrimas são maneiras de transbordar esses sentimentos; de pôr pra fora aquilo que é pesado demais para se carregar no peito, aquilo que dói, que machuca ou ao contrário, aquilo que alegra, que de tão bom chega a ser inacreditável.

Algumas pessoas tem esse poder, de nos fazer sentir tão bem pelo simples fato de estarmos por perto e desfrutarmos de sua presença, que chega a ser inacreditável. Não importa o quão longe estamos, se precisamos de colo é lá que encontramos ou quando as coisas vão bem, é com essa pessoa que temos vontade de partilhar antes que o mundo descubra.

Nas palavras de Vinicius de Moraes “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.” Pior do que ter um amigo em alta estima sem que ele saiba disso, é quando só nos damos conta de que temos um amigo assim quando ele está longe, quando se ausenta (não importa muito por quanto tempo). Sim, minha amiga não está perto de mim no momento e nem podemos nos falar com a freqüência com que costumávamos fazer, mas felizmente, pude perceber antes de sua partida o quanto era importante pra mim e disse isso a ela.

Não tive a mesma capacidade de fazê-lo com outras pessoas e é por isso que deixo aqui um conselho, quem achar sensato que o siga, não deixe passar a oportunidade de dizer a alguém o quanto é amado e essencial na sua vida; pode parecer pequeno aos teus olhos, mas pode mudar o mundo dessa pessoa. Não tenha vergonha nem receio do som que um “eu te amo!” produz; porque ele também pode fazer toda diferença na vida de um amigo...

Como eu li em algum lugar, o tempo passa diferente sem você amiga, e sei que de todos, tu vai ser a última a ler isso, mas ainda assim, é pra ti que escrevo hoje...

Com carinho,
Bia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Diversão x Responsabilidade ?!


Sabe esses pensamentos que invadem nossa mente sem pedir licença nos momentos mais inusitados? Quando a gente não tem está pensando em coisas totalmente diferentes, ou no meu caso, pensando em nada e daí essa coisinha incômoda chamada pensamento se manifesta? Pois é, aconteceu de novo comigo ontem, bem no finzinho do feriadão. Eu já estava feliz, achando que pelo menos dessa vez conseguiria sair ilesa desse raro momento de descanso em meio ao ano letivo; mas que nada, quando eu menos esperava.... aconteceu de novo.

Eu estava quietinha no meu canto, assistindo um espetáculo de dança, afinal, quem me conhece sabe que é uma das várias formas de arte que eu aprecio sem moderação; não posso negar que estava muito bonito, povo dançando horrores lá no palco, uma verdadeira festa de luz, cor e lantejoulas; agradável aos olhos e aos ouvidos. Me envolvi com o que estava acontecendo e simplesmente me deixei levar, é nessas horas que a gente se desliga dos problemas, dos barulhos, das chateações e se retira pra si mesmo.

Comecei a notar em mais do que apenas as coreografias que iam sendo apresentadas, resolvi começar a notar na expressão de cada um que dançava; as que estavam mais preocupadas em não errar os passos ou em não esquecer a coreografias eram logo notadas: rostos fechados, sem sorrisos ou com aqueles forçados (que na minha humilde opinião era melhor nem existir), ombros enrijecidos e pra ser bem sincera, são as que têm mais tendência a errar. Em outro extremo, tinha também aqueles que nem sabiam o porquê de estarem dançando: faziam os passos de qualquer jeito, sem expressão alguma exceto um tremendo ponto de interrogação na testa, incapazes de ficarem chateados, mesmo se caíssem do palco.

Entre um e outro, vieram aqueles que receberam minha admiração, meu respeito e o meu aplauso: vieram aqueles que estavam visivelmente alegres por estarem dançando; preocupados em manter o ritmo e acertar os passos sim, mas deixando transparecer claramente o quão felizes estavam por estarem dançando entre amigos, músicas alegres, roupas divertidas, sentindo-se bem e bonitas pelo simples fato de estarem fazendo aquilo que gostam. Em outras palavras, estavam se divertindo, simplesmente isso!

Descobri que quando as pessoas lá “desistiam” de dançar e começavam a se divertir tudo fluía melhor e mais bonito, mais leve, mais envolvente, verdadeiramente digno de ser chamada arte. Voltei para casa incomodada com esse pensamento: afinal de contas, será possível que quando se tem responsabilidade por algo a diversão fica então excluída? O peso de fazer com que tudo saia bem, bonito e perfeito, sem manchas nem máculas, sem sequer um borrão; faz com que as pessoas se esqueçam da razão primeira que as levaram até ali?

A principio achei que sim, o que confesso, me deixou triste e desgostosa; mas depois, pensando bem no assunto, um fiozinho de esperança começou a querer despontar no horizonte. Porque quando se gosta mesmo de alguma coisa, nesse caso a dança, faz-se o possível e o impossível pra estar sempre envolvido com aquilo, sempre buscando novidades, procurando se aperfeiçoar o máximo, praticando sempre que possível, pesquisando; enfim, vivendo essa paixão de corpo e alma.

De certa forma, cria-se responsabilidade consigo mesmo e com o objeto de sua paixão; mas não uma forçada, repressiva, não é algo pesado e limitador; muito pelo contrário, é uma responsabilidade que liberta, que voa, que faz sentir vivo, prazerosa... aquela em que não nos importamos de ter e de carregar, porque não é um fardo, mas um motivo para viver!

Ao finalizar esse texto, trago o coração mais leve e mais reconfortado; descobri que por mais escondido que esteja, todo mundo tem uma paixão a que se dedica e que, em última instância, dá um motivo para viver. Talvez ela seja inconstante, talvez se modifique com o passar dos anos, mas certamente eleva nossa alma, nos faz plenos, felizes! Seria uma pessoa horrível se não desejasse ao final de tudo que cada um dos leitores que tiveram a paciência de chegar até aqui que se apaixonem sempre que possível e que, com isso, sejam imensamente felizes!!!

sábado, 10 de novembro de 2007

Amigos Anjos





A comparação é mais do que batida, acho que todo mundo por aqui já leu algum texto, mensagem, e-mail ou música que diz que verdadeiros amigos são anjos em nossas vidas; alguns vão achar piegas, mas bem no fundo, se cada um examinar a si mesmo, vai poder se lembrar de que pelo menos uma vez na vida, por um breve instante, teve um amigo a quem pode chamar de anjo.

Não tenho pretensões teológicas, portanto, esqueçam toda a aula sobre anjos que poderia passar pelas suas mentes, primeiro porque não tenho tanto conhecimento assim sobre o assunto e segundo porque seria realmente chato e fugiria totalmente ao nosso propósito aqui. Vamos falar dos anjos do senso comum, aqueles de lindos cabelinhos cacheados, dourados e reluzentes como o ouro, aqueles que têm um rosto de pureza e de candura que chegam a enfeitiçar, de quem se tem vontade de apertar as bochechinhas; mas acima de tudo aqueles capazes apenas de amar.

Não dá pra imaginar um anjo fazendo uma maldade, nem mesmo uma traquinagem; exceto talvez o cupido, mas esse nem anjo era! Fato é que anjo mesmo, aquele com A maiúsculo, é aquele capaz de proteger, de confortar, de aquecer o coração sem nem precisar de palavras, apenas com pequenos gestos; pode nos fazer rir apenas com sua presença. Posso ir ainda mais longe e ser um tanto mais ousada, posso dizer que muitas vezes eles nos fazem rir apenas por lembrarmos que eles existem, que nos amam como somos, sem tentar nos modificarem e que podemos contar com esse apoio incondicional a qualquer hora, em qualquer lugar.

É curioso eu dizer uma coisa dessas, não por maldade, talvez por superproteção, fui ensinada que amigos verdadeiros são apenas aquelas pessoas que moram com você, ou seja, meus pais e meus irmãos; quando se é criança, não se tem outra escolha senão aceitar aquilo que nos dizem como verdades e até certo ponto, eu cresci acreditando nisso. O que eu nunca percebi é que com isso acabava afastando as pessoas que por acaso buscavam chegar mais próximas a mim. A partir de um determinado momento pensar assim se tornou muito solitário, mas por hábito continuei pensando assim.

Foi preciso encontrar alguns desses anjos em minha vida, não precisam ter nomes, eles sabem quem são (ao menos eu espero que saibam, com certeza, todos sabem que eu os amo de coração); basta apenas que se diga que cada um deixa a minha vida um pouco mais colorida, mais bonita, mais perfumada, mais amável ou pelo menos, menos amarga e hostil. Assim como os anjos, a maioria deles está longe de mim, eu raramente ou nunca os vejo; são para mim muito mais um sentimento, um contentamento, uma memória e até uma saudade do que uma presença real; entretanto nunca duvidei nem por um segundo, de sua presença junto a mim.

Afinal, é esse estar junto que me faz forte para enfrentar alguns momentos difíceis, muitas vezes chego a escutar a voz deles me dando força ou me aconselhando; que me motiva a fazer determinadas coisas ou a tomar determinadas decisões. Meus anjos lutam para não me ver cair, mas se for preciso, eles me deixam esborrachar de bumbum no chão, tendo apenas a certeza de que estarão ao meu lado e estenderão a mão para ajudar a levantar; tem sempre uma palavra de consolo e um gesto de carinho que é possível sentir de longe, ao mesmo tempo também já me sacudiram, me falaram verdades doloridas, mas nunca mentiram para mim. Não são capazes de me dizer coisas para me agradar, preferem secar as minhas lágrimas, mas me dizer a verdade!

Porém há uma coisa de diferente, com meus anjos amigos eu posso conversar e esperar resposta, posso abraçar e me sentir abraçada de volta, posso dar um beijo, fazer um cafuné, e receber tudo isso de volta; com meus anjos amigos, há reciprocidade, há cumplicidade. Isso sem falar nos olhares, os olhos são espelhos da alma já disse algum poeta por aí e isso deve ser bem verdade, porque o olhar de um anjo amigo é mais ferino e cortante que o mais afiado dos punhais ou, ao contrário, é capaz de lavar a alma, encher nossos olhos de lágrimas de alegria.

Faço uma pausa aqui, sinto que fui injusta alguns parágrafos acima e também parece que disse algo em tom de lamentação, quando na verdade, não foi bem assim. Não me arrependo de ter crescido da forma como o fiz, nem de ter tido poucos amigos fora de casa; foi graças a essa minha criação que sou o que sou hoje e que posso m e dar ao luxo de ter amigos anjos. Meus pais e meus irmãos, posso dizer que são mais do que meus anjos, são meus Arcanjos!

Acho que já me alonguei demais; espero que tenha sorrido ao lembrar-se daquele anjo que há tempos você não vê, nem fala; mas que jamais será esquecido e que ainda pode sentir perto de você. Ou ao contrário, que tenha se emocionado ao descobrir que pode se considerar um anjo para alguém. E só para não perder o hábito, fica a proposta de ter como um dos objetivos, ser um anjo na vida de alguém!



sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Tempo... tempo... tempo.... tempo

Eu sabia quando fiz esse blog que acabaria por deixá-lo de lado mediante o corre-corre da vida diária. Desde que o fiz, minha vida mudou completamente, se transformou como a lagarta em borboleta...

Uma amiga querida me fez buscá-lo novamente, e espero em breve ter inspiração e tempo para voltar a escrever, eram apenas pensamentos, mas alguns que eu gostava de dividir com o mundo e acima de tudo, gostava de não sufocá-los e deixá-los morrer dentro de mim!

Beijos a todos.... em breve estarei de volta!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Girassol

Estava procurando uma imagem para ver se ela traria consigo a inspiração e as palavras que eu precisava para escrever um texto; não sei se essa aí é a mais indicada de todas, porém, de algum modo, ela vai servir para ilustrar bem. Nem era bem uma flor que eu procurava, era sim uma pessoa olhando o mar ou o por do sol, ou (e de preferência) as duas coisas juntas, curiosamente não achei nenhuma que me agradasse e decidi procurar aleatoriamente uma imagem, encontrei o girassol.

Pela primeira vez no dia essa imagem simples fez brotar em meus lábios um sorriso, uma sensação de bem estar e ficou claro como água que era preciso usar o girassol nas minhas comparações. Às vezes, não é sempre, gosto de usar coisas simples para explicar outras mais complexas, ou sentimentos na maior parte das vezes; quem sabe assim as soluções não aparecem mais facilmente?

O fato é que olhando para a figura do girassol comecei a devanear a respeito do que ele significava para mim, do que eu sabia sobre ele e cheguei a conclusão que de fato, não sei nada a respeito dele, ou quase nada, mas deixemos isso para daqui a pouco. O que eu soube na hora, era a impressão que ele me causava, a forma como ele me afetava que é mais ou menos assim: sempre achei o Girassol uma flor bonita, não a mais bonita de todas, mas imponente de alguma forma, até majestoso, é impossível passar por um único girassol – pode ser até numa dessas barraquinhas de flores da rua – e não notar a sua presença lá; então o girassol atrai olhares para si, mais que isso, provoca a proximidade; por ser uma flor grande, atrai milhares de insetos que tiram dele o seu sustento verdadeiramente.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, ele também não é uma flor solitária, nunca se vê na natureza apenas um girassol perdido no meio do campo, ele está sempre rodeado por outros iguais à ele. Iguais e distintos ao mesmo tempo, pois nenhum deles é igual ao outro, cada um tem uma particularidade, uma marca, um que quer que seja que o torna único e especial. É uma habilidade incrível, até porque, nunca se vê um girassol próximo demais de outro, nem longe demais também; ele sabe a distância exata que deve ficar: o suficiente para permitir que o outro se desenvolva por si mesmo, que crie raízes, que tenha sua própria vida e liberdade; por outro lado, ele nunca se afasta demais do seu “companheiro” do lado dando-lhe apoio, conforto e suprindo suas necessidades e carências muitas das vezes. Em resumo, o girassol sabe respeitar!

Só tem uma coisa que eu sei sobre o girassol e é precisamente o que mais me impressiona nele; apesar de ter suas raízes na terra, ele não está verdadeiramente preso, ele é capaz de girar em torno de si mesmo quantas vezes quantas forem necessárias em busca do sol. Ele está sempre voltado para o que lhe dá luz, calor, condições de sobrevivência, alegria, enfim, o girassol nunca está perdido; ele sempre sabe exatamente para onde se voltar, o que buscar, o que lhe faz bem, o que lhe faz produtivo, o que lhe faz vivo.

O girassol nunca está perdido! Não me entenda mal, mas agora me deu inveja do girassol, porque nós, seres humanos, muitas vezes passamos a vida tentando encontrar as mais variadas coisas: Deus ou uma Força Superior (seja qual for o nome dado); amigos; companheiros, amores; mas acima de tudo, tentando encontrar a nós mesmos.

Duvido mesmo que alguém passe a vida toda sem que ao menos uma dessas questões lhes passem pela cabeça, sem que se busque qualquer uma dessas coisas. E quando menos se espera ou quando menos se precisa, é justamente quando somos acometidos por uma dessas “crises existenciais”, onde nos misturamos ao campo de girassóis e não conseguimos nos definir ou nossa localização.

É aí também que procuramos a ajuda daquele girassol que esta mais próximo, o que é de fato uma faca de dois gumes, se esse não souber distinguir que precisamos de um apoio e não que ele faça por nós mesmos, se ele não souber dar o nosso espaço para que possamos nos desenvolver, corremos o risco de nos tornar deficientes de afetos, de emoções, de atitudes, em vários sentidos, pode fazer com que falte uma parte de nós mesmos.

De tudo isso o que eu acho importante é que aprendamos com os girassóis a ter sim nossas raízes aprofundadas, se voltarmos para nós mesmos e buscarmos o que era importante para nós quando criança, acharemos também a base e o fundamento de nossas raízes; entretanto a criança evolui e assim como o girassol deve voltar-se para o que lhe dá vida, para o que lhe faz bem, independente de quantas vezes seja necessário que se dê essa volta a cerca de nós mesmos. É preciso aprender a ter a humildade do girassol.

Também precisamos aprender que nunca seremos uma flor sozinha no campo, sempre haverá aqueles ao nosso redor e que da mesma forma que somos diferentes entre nós mesmos, assim também somos semelhantes e carentes uns dos outros. E seremos muito importantes na vida desses próximos, ainda que, por circunstâncias da vida, não cheguemos a saber disso; por vezes é daqueles que menos esperamos que vem as mais doces palavras e o mais sólido apoio, por isso a recíproca também é verdadeira e os próximos serão sempre importantes na nossa vida. É necessário que aprendamos que somente com respeito, apenas quando soubermos dar espaço e, ao mesmo tempo, proximidade, ambos na medida certa; que tenhamos sabedoria o suficiente para distinguir que podemos apoiar o outro, mas nunca andar por ele; aprenderemos a arte do bem viver, assim como o girassol a pratica.

Acho que da mesma forma que o girassol atrai para si, mesmo sem querer, olhares, coisas e pessoas; assim também não podemos nos esquivar dos olhares, coisas e pessoas que atraímos sob pena de perdermos a nós mesmos. É nos assumindo como somos e buscando para nós as qualidades e lições singelas dessa simples flor que encontraremos o caminho para nossas realizações e anseios mais profundos.

Fica aqui o convite, para uma reflexão maior e mais profunda, para que ache em si mesmo suas próprias comparações, a força do girassol e seu próprio sol.

domingo, 20 de maio de 2007

Roda Gigante

Sabe aquela sensação de estar no alto da Roda Gigante, de olhos fechados e pensando em milhares de coisas, mas uma frase em especial não sai de sua mente: “Por que eu resolvi subir nessa geringonça?!”; daí como se já não fosse pouco, seu estômago resolve te lembrar, naquele exato momento, que ele existe e que aquele cachorro-quente que você comeu alguns minutos atrás, agora não parece tão gostoso.

Afinal você sabia muito bem que tinha medo de altura, que não confiava naquele bando de ferros presos apenas pelo centro, aquelas vigas eram pequenas e fracas para segurar uma coisa tão grande e pesada, ainda mais agora com milhares de pessoas lá, sentada em cadeirinhas que balançam conforme o movimento. E essa música irritante? Será que essa é uma máquina de tortura onde as pessoas, lerdas como nós, voluntariamente ingressam?

Mas daí alguma coisa acontece, por um instante quando você acha que tudo está perdido e que não seria surpresa agora se aquela “trava de segurança” abrisse e você fosse vomitado para fora da cadeirinha-dançante, um toque quente e macio na sua mão (que, diga-se de passagem, estava uma pedra de gelo) faz o mundo dar uma pausa; todos aqueles questionamentos desaparecem e tudo o que você sente é aquele toque e a brisa que teima em bagunçar seus cabelos.

Daí uma voz, mas não uma voz qualquer, uma voz amiga e consoladora, velha conhecida se faz ouvir:

- Heyy sua boba, não vai abrir os olhos?

Começa então uma verdadeira luta interna entre o que você deve fazer (abrir os olhos) e aquilo, que você jura por tudo que lhe é mais sagrado, que não é capaz de fazer. E todos aquelas perguntas sem resposta de antes, as sensações... enfim, tudo que você sabe que é perfeitamente explicável e que se analisado friamente faz todo sentido do mundo?

Mas daí aqueles dedinhos se apertam novamente na sua mão que a essa altura dos acontecimentos, já não estão mais tão frias e sem qualquer explicação lógica e cabível, simplesmente você abre os olhos.

O que se segue é um misto de felicidade, terror e alguma outra coisa que não se sabe bem explicar. Felicidade porque finalmente você abriu os olhos e pode observar tudo que havia de mais maravilhoso naquela experiência e que você estava perdendo simplesmente porque não queria abrir os olhos. É quando entra o terror, só então você se dá conta de que o medo paralisa, te leva a pensar e até a encontrar razões para justificar suas atitudes! O que é um tanto contraditório eu sei, já que descobriu que o medo paralisa, descobriu também que tem medo de ter medo; mas descobriu também que é preciso sempre ser mais forte do que ele e a reconhecê-lo o quanto antes e a lutar contra ele.

E quanto ao outro sentimento que você não sabe explicar, se resume muito bem naquela mão que está nas suas, naquele sorriso que agora te é oferecido, naquela voz que te fez acordar, na segurança que te foi passada, na fé que te foi depositada e acima de tudo na certeza de que não estava sozinha naquela aventura insana. Esse sentimento tem nome sim, chama-se amizade!

Amizade... sentimento raro, talvez encontrado por alguns poucos sortudos no mundo. Amigo mesmo não tem formula, não pode ser comprado, não vem com etiqueta na testa nem com data de validade. Ele não vai sorrir o tempo todo, nem chorar o tempo todo, tampouco vai te agradar o tempo todo. Muitas vezes ele vai ser o chato que te sacode pra você acordar para a vida, que te força a fazer aquilo que não quer, que briga com você mesmo tendo certeza que vais ficar com raiva dele na hora.

E por que então você acha que justo essa pessoa é tua amiga? Porque só ela é capaz de te ouvir horas seguidas, a mesma conversa mole de todos os dias; porque só ela parece ter bola de cristal pra adivinhar no teu “oi” que, apesar do sorriso, você está morrendo por dentro; porque só ela é capaz de ficar até as 2hs da manhã, mesmo morrendo de sono, só porque você pediu; que tem os ombros molhados de tuas lágrimas e nunca sequer te jogou isso na cara, nem nunca contou pra ninguém.

E se isso não bastar, ela é tua amiga simplesmente porque você a ama e tem certeza que ela também te ama, apesar de vocês serem quem são, com qualidades e defeitos, com dúvidas e inconstâncias, mas acima de tudo: com carinho, devoção, amor e fidelidade!

A roda gigante começa a descer, ela ainda vai dar algumas voltas até chegar ao seu fim, pena porque agora estava começando a gostar da brincadeira; mas feliz, porque em apenas alguns minutos você fez milhares de descobertas sobre você, sobre a vida e sobre como é bom simplesmente estar ali, com tua amiga ao lado!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Saudades....


Não é sempre que a gente está disposto a escrever, sei disso tão bem quanto qualquer um que escreve pelos mesmos motivo que eu: pra desabafar, tentar organizar os pensamentos, mas acima de tudo, quem escreve por impulso! Já faz alguns dias que eu estou pensando nessa palavra tão simples e que ao mesmo tempo nos remete a uma profusão de sentimentos no mínimo intensos, confusos e até contraditórios.

O processo é mais ou menos assim: de alguma forma no cotidiano alguma coisa ou alguém se destaca e começa a crescer dentro de mim, tal qual uma bola de neve que rola montanha abaixo aumentando de tamanho cada vez que completa seu ciclo; em certo momento torna-se insuportável guardá-lo por mais tempo e de alguma forma tem que ser expandido, exposto. Como pode ser muito confuso e intenso, tento reduzir a uma palavra apenas, numa tentativa de simplificar algo complexo. Daí eu procuro uma imagem que possa traduzir tal palavra e ao mesmo tempo, que possa me indicar por onde começar a escrever.

Posso pensar em mil coisas, procurar de várias formas diferentes, mas só há uma explosão mental quando os olhos batem Naquela figura; é como se nela residisse todo o mistério que até então não sei explicar nem descrever em palavras. É como se de repente as idéias ficassem claras, abrem-se as cortinas da mente e você percebe que numa das paredes ocultadas pelo breu estava o texto pronto; ele sai como num “vomitado” intenso e de uma vez só. O melhor de tudo é que no final ele não só faz sentido como tenho a sensação de que foi uma das melhores produções que já tinha feito até então.

Não, eu não estou totalmente louca, sei que o titulo ainda não fez o menor sentido, assim como sei que não está interessado num manual de auto-ajuda; nem é esse o meu propósito, mas dessa vez, era importante que o leitor tivesse ciência disso. Porque dessa vez o processo foi rápido e estava (ainda está na verdade) gritando dentro de mim essa simples palavrinha.

Fazem mais ou menos 3 ou 4 dias que uma máxima da sabedoria popular não sai da minha mente “a gente só dá valor ao que tem quando perde”, eu detesto, mas vou ter que concordar dessa vez. Ao contrario do que pode estar pensando, é muito menos mórbido, pelo menos dessa vez! Ninguém morreu nem está nas últimas, nenhum amigo querido ou parente vai se mudar pro outro lado do mundo, também não briguei com ninguém a ponto de cortar relações; apenas estou sentindo falta de algo subitamente retirado do meu dia-a-dia.

Sentimento engraçado esse que é bom e ruim ao mesmo tempo! Parece contraditório eu sei, incompatível, mas não é; muito pelo contrário, os termos dessa contradição caminham de mãos dadas lado a lado. É ruim porque ninguém gosta de ficar longe de quem se ama, ou pelo menos, de quem se gosta muito, é angustiante, frustrante, um horrível sentimento de impotência se aloja em nós e a maior parte do tempo só dá vontade mesmo é de se recolher, ficar deitado quietinho, debaixo de um edredom assistindo filmes no melhor estilo “sessão da tarde” na televisão de preferência comendo pipoca ou tomando vinho. Até que o tempo, que cura todos os males, ou que pelo menos os faz adormecer, agir e transformar esse imenso vazio numa saudade gostosa.

Difícil é olhar pela janela e ver que a cidade é enorme, em algum lugar num daqueles pontinhos brilhantes de luz está a causa de ter saudades, mesmo assim não se pode adivinhar em qual e muitas vezes nem se pode ir em busca dela. Somos martirizados pelo simples fato de sabermos de sua existência. A janela do quarto torna-se ao mesmo tempo amiga e inimiga, confidente e carrasca; mas é através dela que a dor ameniza, ainda que minimamente. Mas nem tudo está perdido...

Por outro lado se há a possibilidade, ainda que remota, de matar essa saudade ela se torna boa, se transforma num outro sentimento chamado esperança, capaz de operar milagres. Passa-se a outro estágio, o da ansiedade (e haja caixa de bombom em casa pra agüentar essa fase!), da euforia de querer fazer tudo ao mesmo tempo, de querer que os minutos passem na velocidade dos segundos e assim por diante. E apesar dele se recusar a passar rápido, quando o momento tão esperado chega, é indescritível e faz valer a pena todo aquele tempo ruim que passou antes (e os quilinhos extras frutos do chocolate).

Um abraço, nada é capaz de vencer tão bem a saudade como o abraço! Sentir o carinho da outra pessoa, o perfume, o calor, tudo o que ele proporciona tão bem apaga qualquer resquício da saudade. A contradição é que não seria assim se não houvesse o afastamento, a dor, a angústia, a ansiedade, o tempo, enfim, se não fosse justamente pela saudade. Estranho pensar nisso, no mínimo confuso; mas é exatamente assim que funciona.

Saudades do que se perdeu, do que nunca se teve, do que poderia ter sido; saudades doída, gostosa, verdadeira, encobridora; de amigos, de amores, de familiares, de tempos, de objetos, de valores... saudades fazem parte daquilo que somos, ajudaram a nos construir; acabei de me dar conta disso. Pra não correr o risco de virar um saudosista e viver de passado e esquecer-se de viver, melhor recorrer às sábias palavras do Poetinha, Vinícius de Moraes: “que não seja imortal posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure.” Ainda que em contextos e matérias diferentes, um de amor e o outro de saudades, as palavras servem; saudades dói, mas o tempo amortece e até apaga, não deixa de ser uma chama em nosso íntimo, e como tal não é forte o suficiente para nos maltratar eternamente.

Fica a reflexão e o desejo de que ela nunca destrua sonhos, mas ao contrário, que ela seja motivadora e sirva de alicerce para vôos ainda mais altos e mais bonitos.