domingo, 21 de setembro de 2008

Anjo da Música


Já faz muito tempo que eu não escrevo aqui e embora esse não seja um texto de retratação, acho que cabe uma pequena pausa, uma espécie de pré-introdução para justificar tal ausência. Não é segredo pra ninguém que me conhece que estou dando aulas numa escola municipal e desde fevereiro deste ano, não apenas no período da tarde, mas durante todo o dia, chego em casa cansada demais, sem animo para muita coisa... e assim sendo, este blog acabou caindo no esquecimento. Vamos ver se consigo tirar a poeira e ainda escrever alguma coisa que preste.

Dessa vez não foi a imagem que produziu o texto, foi bem ao contrário, quando eu me sentei para escrever, sabia exatamente do que queria falar e sabia que imagem eu queria achar, só não pensei que fosse encontrar uma imagem tão perfeita! Há relativamente pouco tempo atrás ouvi uma voz que me fez pensar... Não, que me fez sentir que de tempos em tempos, Deus coloca na terra um de seus anjos, disfarçados de pessoas comuns com missões extraordinárias.

Desde criança a música sempre esteve ao meu redor de uma forma ou de outra, ainda que eu não me desse conta disso, sempre procurava estar cercada de música, minha mãe conta que quando eu era um bebê colocava um rádio tocando baixinho perto de onde eu estivesse, pois isso me acalmava e me fazia sentir melhor, não importa o estado de espírito em que me encontrasse. Cresci e sempre procurei fazer atividades que a envolvessem direta ou indiretamente: ballet, violão, o coral da escola, etc e tal. Da mesma forma, os filmes preferidos são os musicais, mesmo quando a maioria das pessoas achava piegas e acabava fazendo piada disso.

Mas com uma coisa quase todo mundo concorda, poucas coisas nos deixam mais leves, alegres, verdadeiramente elevados do que uma bela canção, algumas vezes o som que chega aos nossos ouvidos produzem em nós milagres, revoluções em nossas almas, nos dão coragem de continuar em frente, ainda que isso signifique ter que abrir mão de um tanto de outras coisas. Quem já não pensou que a vida nos leva por caminhos tão inesperados as vezes que parece até que somos meros personagens sob os holofotes de um palco, mas nesse palco da vida nunca estamos só, sempre há algo que nos acompanha, uma trilha sonora.

Talvez falte um tema central (embora eu duvide muito disso), acho que seria mais justo dizer que esse tema central está em constante transformação, nos acompanha durante a nossa caminhada e como somos seres em constante transformação, ele também o é. Há sempre uma música que nos remete a alguma situação ou a alguém especial, há sempre uma canção que toca o coração, que faz a gente chorar baixinho, que faz a gente viajar, que nos faz rir...

Mas o que isso tem a ver com o título do texto então? É que tais melodias não nos tocam tão profundamente se junto a elas não tiver uma voz que nos tocam a alma; algumas delas entram em nosso coração antes mesmo de nos dar conta do que está acontecendo, à essas pessoas Deus deu o dom não só poder cantar belas canções, mas também o de tocar o mais profundo das pessoas, de fazer com que se sintam mais felizes, mais confiantes, mais leves, mais bonitas, mais realizadas, mais humanas. É como se toda maldade e sentimento ruim que um dia habitou a face da terra jamais tivesse existido, não fazem mais o menor sentido. São verdadeiros anjos que desceram à terra com essa missão tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão nobre!

Cada pessoa tem seu próprio Anjo da Música e sua própria trilha sonora, não importa qual seja, tenho certeza que ele deixa a todos mais felizes; espero que cada um reconheça os anjos que cercam suas vidas, que cuidem deles, que os cultive sempre mais e que jamais os deixem sair de suas vidas.

Não sei se foi uma boa reflexão, mas ao menos serve pra tirar a poeira e fazer pensar...

Um beijo carinhoso a todos,
Bia.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Lágrimas



Queria muito ter voltado a este lugar por um motivo alegre e, na verdade, eu nem posso reclamar, desde a última postagem, eu tive vários deles, várias oportunidades de contar coisas boas: meu irmão se casou e foi uma cerimônia verdadeiramente comovente, um clima de felicidade pairava no ar e todos pareciam sorrir involuntariamente; depois tivemos as festas de Natal e de Ano Novo que, se por um lado não trouxeram grandes novidades, por outros tinha um clima de paz que há muito não sentia aqui em casa (não que passamos o ano brigando; mas porque ele foi mesmo muito agitado e cheio de compromissos).

Nesse meio tempo também conquistei algumas coisas que desejava há anos, coisas que podem parecer tolas para muitos, mas que para mim, foram verdadeiras vitórias pessoais, direta ou indiretamente, representaram superação.

Mas não foi nenhuma dessas coisas boas que me levou a procurar a imagem de uma lágrima, até poderia, pois de alegria também se chora. Procurei essa imagem porque acredito que quando um sentimento é forte demais pra ser calado e particular demais pra partilhado, ele necessita de uma maneira de se expressar; as lágrimas são maneiras de transbordar esses sentimentos; de pôr pra fora aquilo que é pesado demais para se carregar no peito, aquilo que dói, que machuca ou ao contrário, aquilo que alegra, que de tão bom chega a ser inacreditável.

Algumas pessoas tem esse poder, de nos fazer sentir tão bem pelo simples fato de estarmos por perto e desfrutarmos de sua presença, que chega a ser inacreditável. Não importa o quão longe estamos, se precisamos de colo é lá que encontramos ou quando as coisas vão bem, é com essa pessoa que temos vontade de partilhar antes que o mundo descubra.

Nas palavras de Vinicius de Moraes “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.” Pior do que ter um amigo em alta estima sem que ele saiba disso, é quando só nos damos conta de que temos um amigo assim quando ele está longe, quando se ausenta (não importa muito por quanto tempo). Sim, minha amiga não está perto de mim no momento e nem podemos nos falar com a freqüência com que costumávamos fazer, mas felizmente, pude perceber antes de sua partida o quanto era importante pra mim e disse isso a ela.

Não tive a mesma capacidade de fazê-lo com outras pessoas e é por isso que deixo aqui um conselho, quem achar sensato que o siga, não deixe passar a oportunidade de dizer a alguém o quanto é amado e essencial na sua vida; pode parecer pequeno aos teus olhos, mas pode mudar o mundo dessa pessoa. Não tenha vergonha nem receio do som que um “eu te amo!” produz; porque ele também pode fazer toda diferença na vida de um amigo...

Como eu li em algum lugar, o tempo passa diferente sem você amiga, e sei que de todos, tu vai ser a última a ler isso, mas ainda assim, é pra ti que escrevo hoje...

Com carinho,
Bia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Diversão x Responsabilidade ?!


Sabe esses pensamentos que invadem nossa mente sem pedir licença nos momentos mais inusitados? Quando a gente não tem está pensando em coisas totalmente diferentes, ou no meu caso, pensando em nada e daí essa coisinha incômoda chamada pensamento se manifesta? Pois é, aconteceu de novo comigo ontem, bem no finzinho do feriadão. Eu já estava feliz, achando que pelo menos dessa vez conseguiria sair ilesa desse raro momento de descanso em meio ao ano letivo; mas que nada, quando eu menos esperava.... aconteceu de novo.

Eu estava quietinha no meu canto, assistindo um espetáculo de dança, afinal, quem me conhece sabe que é uma das várias formas de arte que eu aprecio sem moderação; não posso negar que estava muito bonito, povo dançando horrores lá no palco, uma verdadeira festa de luz, cor e lantejoulas; agradável aos olhos e aos ouvidos. Me envolvi com o que estava acontecendo e simplesmente me deixei levar, é nessas horas que a gente se desliga dos problemas, dos barulhos, das chateações e se retira pra si mesmo.

Comecei a notar em mais do que apenas as coreografias que iam sendo apresentadas, resolvi começar a notar na expressão de cada um que dançava; as que estavam mais preocupadas em não errar os passos ou em não esquecer a coreografias eram logo notadas: rostos fechados, sem sorrisos ou com aqueles forçados (que na minha humilde opinião era melhor nem existir), ombros enrijecidos e pra ser bem sincera, são as que têm mais tendência a errar. Em outro extremo, tinha também aqueles que nem sabiam o porquê de estarem dançando: faziam os passos de qualquer jeito, sem expressão alguma exceto um tremendo ponto de interrogação na testa, incapazes de ficarem chateados, mesmo se caíssem do palco.

Entre um e outro, vieram aqueles que receberam minha admiração, meu respeito e o meu aplauso: vieram aqueles que estavam visivelmente alegres por estarem dançando; preocupados em manter o ritmo e acertar os passos sim, mas deixando transparecer claramente o quão felizes estavam por estarem dançando entre amigos, músicas alegres, roupas divertidas, sentindo-se bem e bonitas pelo simples fato de estarem fazendo aquilo que gostam. Em outras palavras, estavam se divertindo, simplesmente isso!

Descobri que quando as pessoas lá “desistiam” de dançar e começavam a se divertir tudo fluía melhor e mais bonito, mais leve, mais envolvente, verdadeiramente digno de ser chamada arte. Voltei para casa incomodada com esse pensamento: afinal de contas, será possível que quando se tem responsabilidade por algo a diversão fica então excluída? O peso de fazer com que tudo saia bem, bonito e perfeito, sem manchas nem máculas, sem sequer um borrão; faz com que as pessoas se esqueçam da razão primeira que as levaram até ali?

A principio achei que sim, o que confesso, me deixou triste e desgostosa; mas depois, pensando bem no assunto, um fiozinho de esperança começou a querer despontar no horizonte. Porque quando se gosta mesmo de alguma coisa, nesse caso a dança, faz-se o possível e o impossível pra estar sempre envolvido com aquilo, sempre buscando novidades, procurando se aperfeiçoar o máximo, praticando sempre que possível, pesquisando; enfim, vivendo essa paixão de corpo e alma.

De certa forma, cria-se responsabilidade consigo mesmo e com o objeto de sua paixão; mas não uma forçada, repressiva, não é algo pesado e limitador; muito pelo contrário, é uma responsabilidade que liberta, que voa, que faz sentir vivo, prazerosa... aquela em que não nos importamos de ter e de carregar, porque não é um fardo, mas um motivo para viver!

Ao finalizar esse texto, trago o coração mais leve e mais reconfortado; descobri que por mais escondido que esteja, todo mundo tem uma paixão a que se dedica e que, em última instância, dá um motivo para viver. Talvez ela seja inconstante, talvez se modifique com o passar dos anos, mas certamente eleva nossa alma, nos faz plenos, felizes! Seria uma pessoa horrível se não desejasse ao final de tudo que cada um dos leitores que tiveram a paciência de chegar até aqui que se apaixonem sempre que possível e que, com isso, sejam imensamente felizes!!!